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Livros de Matemática

Livros da Tinta-da-China chegam à Livros de Matemática

By Quem somos

O novo acordo amplia nossa curadoria com obras de história e divulgação matemática feitas para leitores de diferentes formações.

A Livros de Matemática fechou um acordo comercial com a Tinta-da-China Brasil e passa a reunir, em livrosdematematica.com, os livros de matemática publicados pela editora. É uma novidade que aproxima dois trabalhos complementares: de um lado, uma livraria dedicada exclusivamente à matemática; de outro, uma casa editorial que apresenta a disciplina com rigor, cuidado gráfico e abertura para o leitor não especialista.

Uma parceria que faz sentido

Quem procura livros de matemática nem sempre está atrás de um manual, de uma coleção universitária ou de uma obra para preparar uma prova. Há também quem queira conhecer a história das ideias, entender de onde vieram os números, acompanhar uma boa narrativa sobre a disciplina ou simplesmente descobrir por que a matemática continua aparecendo nos lugares mais inesperados.

É nesse território que o catálogo da Tinta-da-China Brasil se destaca. Editora independente hoje ligada à Associação Quatro Cinco Um, ela é reconhecida pelo cuidado editorial e gráfico de suas publicações. Em matemática e divulgação científica, seus livros criam pontes entre conceitos rigorosos e uma leitura acessível, sem transformar a disciplina em algo superficial.

Para a Livros de Matemática, o acordo reforça uma ideia que orienta nosso trabalho desde o início: reunir em um só lugar diferentes maneiras de entrar no universo matemático. Seguimos oferecendo obras para estudantes, professores e pesquisadores, mas ampliamos também o espaço dedicado à cultura matemática — livros que podem ser lidos fora da sala de aula e que ajudam a enxergar a disciplina como parte da história, da imaginação e da vida cotidiana.

Por onde começar

Histórias da Matemática, de Marcelo Viana, é o título mais vendido da Tinta-da-China Brasil e uma excelente porta de entrada para esse catálogo. O livro percorre ideias, acontecimentos e personagens que ajudam a compreender como a matemática foi sendo construída e como ela continua mudando. É indicado para leitores curiosos, estudantes que querem conhecer o contexto por trás das fórmulas e professores interessados em levar histórias da disciplina para suas aulas. O diferencial está justamente no encontro entre história, reflexão e uma escrita que não exige formação especializada.

Matemática para seres humanos (e alguns robôs), também de Marcelo Viana, traz a conversa para o presente. O título coloca lado a lado a matemática como atividade humana e as tecnologias que criamos, abrindo espaço para pensar sobre nossa relação com algoritmos, máquinas e novas formas de produzir conhecimento. É uma leitura para quem se interessa tanto por matemática quanto pelas transformações tecnológicas de nosso tempo — incluindo professores, estudantes e leitores que procuram uma abordagem contemporânea da disciplina.

Outras portas de entrada

A descoberta dos números, de Marcelo Viana, toma um dos elementos mais familiares da matemática e devolve a ele o caráter de aventura intelectual. Os números parecem naturais quando aprendemos a usá-los, mas são resultado de uma longa construção de ideias, necessidades e descobertas. O livro serve ao leitor curioso, ao estudante que deseja ampliar sua visão da disciplina e ao professor que procura uma narrativa capaz de enriquecer a apresentação do tema. Seu diferencial é mostrar que até aquilo que parece básico tem uma história cheia de invenção.

Pi: uma autobiografia infinita, de Mahsa Allahbakhshi, Andrés Navas e Verena Rodríguez, transforma um número em personagem. A abordagem biográfica e ilustrada permite acompanhar diferentes dimensões de pi sem fazer do livro um tratado técnico. É uma escolha especialmente interessante para quem gosta de divulgação matemática visual, para professores que procuram novas formas de despertar curiosidade e também para presentear alguém fascinado por números. O projeto gráfico participa da leitura e ajuda a tornar a trajetória de pi concreta, surpreendente e acessível.

Matemática além dos manuais

A chegada desses livros não muda o foco da Livros de Matemática; ela o amplia. Continuamos sendo uma livraria especializada, com curadoria, atendimento que ajuda na escolha dos títulos e envio para todo o Brasil. A diferença é que o leitor agora encontra, ao lado das obras de formação e aprofundamento, mais livros capazes de iniciar uma conversa sobre matemática.

Essa diversidade importa porque não existe uma única maneira de se aproximar da disciplina. Algumas pessoas chegam por um curso universitário; outras, por uma questão histórica, uma ilustração, uma biografia incomum ou uma pergunta sobre tecnologia. Um bom catálogo precisa reconhecer todos esses caminhos.

Os livros de matemática da Tinta-da-China Brasil já podem ser encontrados na Livros de Matemática. Conheça os títulos disponíveis em livrosdematematica.com e escolha a porta de entrada que mais combina com a sua curiosidade

Da produção editorial à livraria: como nasceu a Livros de Matemática

By Quem somos

Por Pablo Diego Regino, fundador e diretor da Livros de Matemática

Durante anos, quem procurava livros do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) podia encontrá-los na loja virtual da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). O próprio IMPA apresentava a loja da SBM como canal de venda de seus livros. Quando aquela oferta terminou, percebi um problema muito concreto: para quem vivia longe do Rio de Janeiro, encontrar determinados títulos passou a ser difícil. Em muitos casos, a alternativa mais direta era ir à loja do IMPA, no Jardim Botânico.

Para quem estudava matemática por conta própria, a falta de uma via de compra podia impedir o acesso a obras e conteúdos que queria explorar. Para quem se preparava para ingressar em um curso, não conseguir a bibliografia recomendada podia significar começar sem o material para estudar e resolver exercícios. Para quem já cursava uma disciplina ou preparava aulas, ficar sem acesso a um desses livros no momento em que precisava dele também era angustiante. Saber que o exemplar existia numa loja no Jardim Botânico pouco ajudava quem morava em outra cidade ou outro estado. A distância podia afetar diretamente o ritmo dos estudos.

Eu vi nessa dificuldade uma oportunidade e, sobretudo, um problema de acesso a materiais de estudo que precisava ser resolvido. Havia estudantes e professores interessados, e atender essa demanda poderia sustentar uma livraria especializada. Foi desse encontro entre a necessidade dos leitores e a vontade de fazer os livros circularem que nasceu a Livros de Matemática.

Antes de vender os livros, eu ajudava a fazê-los

Meu caminho até a livraria começou na produção editorial. Durante muitos anos, trabalhei como designer externo para a SBM. Recebia originais e os transformava em livros prontos para impressão: criava projetos gráficos e layouts para as páginas, diagramava o conteúdo e desenvolvia as capas. Também criava identidades visuais para eventos, logotipos e materiais de divulgação.

Entre esses trabalhos estão projetos gráficos de edições da coleção PROFMAT. Em 2019, criei o selo comemorativo dos 50 anos da SBM, apresentado pela própria sociedade em seu noticiário. Os créditos de livros como Aritmética, de Abramo Hefez também registram meu trabalho de projeto gráfico e capa.

Essa experiência foi meu primeiro contato prolongado com o universo da matemática: seus autores, suas coleções, a maneira como suas ideias são apresentadas e as necessidades de quem estuda e ensina. Aprendi a olhar para um livro além da capa. Era preciso que o conteúdo ganhasse uma forma legível, que o leitor o encontrasse e que o exemplar chegasse às suas mãos.

Uma distância que podia ser encurtada

Depois de tanto tempo trabalhando para que livros de matemática ficassem prontos, aquela dificuldade me mostrou outra parte do trabalho: fazê-los circular. A loja física do IMPA no Jardim Botânico atendia quem podia ir até lá; eu queria alcançar também quem estava em outras cidades.

Criar uma livraria online especializada foi minha resposta. Eu já tinha muita experiência em design e na criação de sites para terceiros. Construir o site e cuidar da apresentação visual da Livros de Matemática foi o primeiro passo, usando habilidades que já dominava no meu próprio projeto. A livraria começou a funcionar em janeiro de 2024. Aos poucos, passei também a tomar decisões de compra, selecionar títulos, administrar a loja e atender os leitores. Depois de trabalhar para que os livros ficassem prontos, comecei a participar ativamente do caminho que percorriam até as mãos de quem precisava deles.

Parti dos títulos do IMPA que haviam se tornado difíceis de comprar. Com o tempo, ampliei a busca para livros raros e difíceis de encontrar, inclusive obras que deixaram de ser publicadas, mas continuavam com muita procura. Procurei exemplares em sebos e outros canais. A seleção cresceu para incluir títulos de diferentes editoras e livros que os leitores já não encontravam facilmente nas livrarias.

A operação cresceu em torno de uma ideia simples: acesso não é apenas encontrar um livro no catálogo; é poder escolhê-lo, comprá-lo e recebê-lo. Por isso, organizo o catálogo por assuntos e coleções e produzo conteúdo para ajudar o leitor a decidir o que estudar. Um exemplo são os guias que relacionam livros da SBM a diferentes objetivos de estudo.

Nos bastidores, busco boas condições de compra quando elas aparecem e reponho outros títulos de acordo com a demanda, para evitar que o custo de livros parados pese sobre a operação. Hoje, ferramentas digitais, inclusive a inteligência artificial, me ajudam a conduzir esse trabalho com uma estrutura enxuta. Também olho para o preço do livro junto com o frete: diferentes opções de transporte permitem buscar um equilíbrio entre custo e prazo para leitores de várias regiões. É assim que a eficiência da livraria pode servir ao objetivo de ampliar o acesso, título por título e entrega por entrega.

Hoje o IMPA também mantém sua própria loja online, e o cenário de compra mudou. O propósito da Livros de Matemática se ampliou junto com o catálogo: aproximar obras, autores e leitores, dar visibilidade à bibliografia matemática e facilitar sua circulação pelo Brasil.

Uma presença construída de forma independente

A Livros de Matemática é uma pequena empresa especializada, conduzida diretamente por mim. A SBM e o IMPA têm histórias, reconhecimento e estruturas institucionais próprios; meu percurso editorial também deve muito ao contato com esse universo. Construir uma livraria independente capaz de encontrar seus leitores no mesmo ambiente digital é uma realização que valorizo.

Uma consulta a uma ferramenta de estimativa de tráfego comparou, em agosto de 2026, as visitas originadas no Brasil a quatro sites de referência do setor. As estimativas situaram a Livros de Matemática entre os três sites mais acessados desse grupo, com audiência online da mesma ordem de grandeza dos outros dois. Para mim, esse resultado mostra que uma livraria independente pode construir uma presença digital relevante no mercado brasileiro de livros de matemática.

Encontrar um lugar na matemática sem ser matemático

Não sou matemático de formação. Em certos ambientes, isso significa que meu trabalho não é plenamente considerado, mesmo depois de anos dedicados a livros e projetos ligados à área. Conheço essa sensação de estar do lado de fora.

Minha contribuição vem de outro lugar. Sei o trabalho que há entre um original e um livro impresso; conheço os desafios de apresentar uma obra, colocá-la à venda e fazê-la chegar a alguém que precisa dela. Ser livreiro e editor também é participar da vida da matemática: os livros precisam circular para que suas ideias encontrem novos leitores.

Com o tempo, dei mais um passo nessa direção e escrevi meu primeiro livro relacionado à matemática. A Matemática das Copas do Mundo — Probabilidades e Odds inaugurou o selo editorial Livros de Matemática. Depois de trabalhar na produção de obras de outros autores e construir uma livraria para distribuí-las, comecei também a publicar sob um projeto editorial próprio.

O que quero construir daqui para a frente

A Livros de Matemática nasceu de um problema de acesso, mas não termina na venda de um livro. Quero desenvolver uma livraria especializada que ajude pessoas a encontrar boas obras, dê espaço à produção matemática em língua portuguesa e participe das conversas sobre ensino e cultura matemática. A edição de livros próprios é parte desse caminho.

Continuo acreditando que uma obra de matemática deve poder alcançar o estudante, o professor ou o leitor interessado onde quer que ele esteja. Foi essa convicção, somada à oportunidade de criar um negócio, que me fez sair da página diagramada para a livraria. É essa mesma convicção que orienta o que construímos agora.

Livros da SBM para ensino, problemas, olimpíadas e graduação

Livros da SBM para cada objetivo: ensino, resolução de problemas, olimpíadas e graduação

By Livros

Por Pablo Diego Regino — fundador e diretor da livrosdematematica.com

Escolher um livro de Matemática exige mais do que comparar títulos, número de páginas ou nível aparente de dificuldade. A decisão se torna muito mais simples quando começa por uma pergunta concreta: o que você pretende desenvolver neste momento? Um professor pode procurar maior domínio dos conceitos que ensina. Outro leitor talvez queira aprender a resolver problemas com mais autonomia. Há ainda quem esteja se preparando para olimpíadas ou avançando em disciplinas universitárias.

A Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) publica obras para diferentes etapas da formação. Entre elas, quatro livros representam caminhos particularmente claros: A Matemática do Ensino Médio — Volume 1, Iniciação à Matemática: Um Curso com Problemas e Soluções, 21 Aulas de Matemática Olímpica e Análise Vetorial Clássica. Embora todos sejam livros de Matemática, eles não concorrem pela mesma função. Cada um responde a uma necessidade específica.

Neste guia, você conhecerá as diferenças entre essas quatro propostas e poderá identificar qual delas combina melhor com seus objetivos de estudo, ensino ou aprofundamento.

Antes de escolher um livro de Matemática, defina seu objetivo

Um livro excelente pode ser uma escolha inadequada quando não corresponde ao momento do leitor. Antes de decidir, observe três aspectos.

O primeiro é a finalidade do estudo. Você deseja ensinar melhor um conteúdo escolar, aprender técnicas de resolução de problemas, preparar-se para competições ou avançar em um tema universitário? O segundo é a base já construída. Algumas obras retomam fundamentos; outras pressupõem familiaridade com demonstrações, cálculo diferencial e integral ou linguagem matemática mais abstrata. O terceiro é a forma de aprendizagem desejada. Há livros organizados como exposições conceituais, cursos baseados em problemas e percursos teóricos mais avançados.

Esses critérios ajudam a evitar duas escolhas comuns e pouco produtivas: comprar um livro avançado antes de dominar os pré-requisitos ou escolher uma obra introdutória quando a necessidade real é aprofundamento.

A melhor escolha não é o livro aparentemente mais avançado, mas aquele que responde ao próximo passo da sua formação.

Seu objetivoLivro indicado
01Ensino e formação docente
A Matemática do Ensino Médio — Volume 1Fundamentação de conjuntos, números e funções para professores, licenciandos e leitores que desejam aprofundar a Matemática escolar.
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02Resolução de problemas
Iniciação à MatemáticaProblemas progressivos, métodos e soluções para desenvolver raciocínio, argumentação e autonomia.
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03Matemática olímpica
21 Aulas de Matemática OlímpicaÁlgebra, combinatória, teoria dos números, geometria e técnicas para desafios de nível olímpico.
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04Graduação e aprofundamento
Análise Vetorial ClássicaCálculo multivariável, formas diferenciais, topologia e aplicações para leitores com base de cálculo.
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Regra prática: escolha primeiro pelo objetivo e pelos pré-requisitos, não apenas pelo título ou pela dificuldade aparente.

Rota 1: aprofundar o que se ensina no Ensino Médio

A Matemática do Ensino Médio — Volume 1

Para professores, licenciandos e leitores que desejam compreender melhor a estrutura conceitual da Matemática escolar, uma escolha natural é A Matemática do Ensino Médio — Volume 1, de Elon Lages Lima, Paulo Cezar Pinto Carvalho, Eduardo Wagner e Augusto César Morgado.

A obra começa pela noção de conjunto e desenvolve, de maneira progressiva, temas como números naturais, números cardinais, números reais, sequências, progressões e diferentes famílias de funções. O percurso inclui funções afins, quadráticas, polinomiais, exponenciais, logarítmicas e trigonométricas. A descrição editorial da SBM destaca o uso de exemplos e exercícios, além da preocupação com definições e fundamentos [1] [2].

Esse enfoque é importante porque muitos conteúdos do Ensino Médio são apresentados de forma operacional. O estudante aprende a aplicar uma fórmula, mas nem sempre compreende as hipóteses, as relações entre os conceitos ou a razão pela qual determinado procedimento funciona. Para o professor, aprofundar essas conexões amplia a capacidade de explicar, escolher exemplos, antecipar dúvidas e avaliar soluções diferentes.

O livro não deve ser entendido apenas como uma coleção de atividades escolares. Seu principal valor está na fundamentação da Matemática ensinada no nível médio. Ele é indicado para quem deseja revisar o conteúdo com mais rigor e construir uma visão articulada de conjuntos, números e funções.

Escolha esta rota se você ensina Matemática, está cursando licenciatura, prepara aulas ou deseja compreender com mais profundidade a teoria por trás de conteúdos escolares.

Ver A Matemática do Ensino Médio — Volume 1 na Livros de Matemática.

Rota 2: desenvolver raciocínio pela resolução de problemas

Iniciação à Matemática: Um Curso com Problemas e Soluções

Para quem quer aprender Matemática praticando estratégias, analisando exemplos e enfrentando dificuldades progressivas, a rota mais adequada é Iniciação à Matemática: Um Curso com Problemas e Soluções, de Krerley Oliveira e Adán José Corcho Fernández.

A proposta do livro está expressa no próprio subtítulo. Em vez de separar longas exposições teóricas de uma lista final de exercícios, a obra organiza o aprendizado em torno de problemas e métodos de resolução. Os exemplos aumentam gradualmente de dificuldade e são acompanhados por exercícios que permitem aplicar as ferramentas apresentadas [3].

Entre os tópicos estão provas matemáticas, equações do primeiro e do segundo grau, inequações, divisibilidade, contagem, princípio da casa dos pombos, indução matemática, desigualdades e polinômios. Essa seleção cria uma ponte entre a Matemática elementar e uma forma mais madura de pensar: formular argumentos, testar caminhos, reconhecer padrões e justificar conclusões.

O livro pode atender a estudantes do Ensino Médio, leitores autodidatas e alunos no início da graduação. Também é útil para professores que procuram problemas capazes de estimular discussão e raciocínio em sala de aula. O ponto decisivo, porém, é a disposição para estudar ativamente. A leitura rende mais quando o leitor tenta resolver cada problema antes de consultar a solução.

Escolha esta rota se você quer superar a dependência de fórmulas prontas, desenvolver estratégias de resolução e construir uma transição gradual para demonstrações e argumentos matemáticos.

Ver Iniciação à Matemática na Livros de Matemática.

Rota 3: preparar-se para a Matemática olímpica

21 Aulas de Matemática Olímpica

O leitor interessado em competições, problemas desafiadores e técnicas típicas do ambiente olímpico encontrará uma proposta mais específica em 21 Aulas de Matemática Olímpica, de Carlos Yuzo Shine.

A obra é organizada em 21 aulas e percorre áreas centrais da preparação olímpica. A descrição da SBM distribui o conteúdo por álgebra, combinatória, teoria dos números e geometria. Também aparecem temas menos usuais em materiais introdutórios, como aplicações de planos projetivos e códigos corretores de erros [4]. O livro integra ainda a bibliografia recomendada pela Olimpíada Brasileira de Matemática para estudo e preparação [5].

Essa variedade faz do livro mais do que um catálogo de truques. O leitor entra em contato com ideias que reaparecem em problemas diferentes e aprende a reconhecer estruturas. Em uma preparação consistente, isso é mais valioso do que memorizar soluções isoladas.

Embora a editora apresente os temas como acessíveis a estudantes do Ensino Médio, o aproveitamento depende da experiência prévia do leitor. Quem está começando pode avançar aula por aula, usando os problemas como parte central do estudo. Professores e treinadores podem utilizar a obra para organizar encontros, selecionar desafios e ampliar o repertório de técnicas.

Escolha esta rota se você participa de olimpíadas, orienta estudantes, procura problemas de maior dificuldade ou deseja aprofundar álgebra, combinatória, teoria dos números e geometria sob uma perspectiva olímpica.

Ver 21 Aulas de Matemática Olímpica na Livros de Matemática.

Rota 4: avançar na graduação e no cálculo vetorial

Análise Vetorial Clássica

Para estudantes que já construíram uma base de cálculo e desejam compreender a arquitetura conceitual do cálculo em várias variáveis, a rota de aprofundamento é Análise Vetorial Clássica, de Felipe Acker.

A obra é organizada em quatro grandes partes. O percurso começa com integrais múltiplas, passa pela análise vetorial clássica, desenvolve formas diferenciais em espaços euclidianos e chega a aplicações em topologia, análise complexa e física matemática. Entre os assuntos associados a esse caminho estão mudança de variáveis, integrais de linha e de superfície, campos vetoriais, teoremas integrais, índice de curvas, Teorema de Brouwer, mecânica dos fluidos e equações de Maxwell [6].

Um de seus diferenciais é conectar tópicos que muitas vezes aparecem de forma fragmentada em cursos diferentes. Em vez de apresentar apenas técnicas de cálculo, o livro ajuda a compreender como integrais, campos, formas diferenciais e resultados globais se relacionam. A descrição oficial também destaca um capítulo inicial que orienta percursos de leitura e indica pré-requisitos [6].

Por essa razão, não é a melhor escolha para quem ainda está começando o estudo de funções ou cálculo. A obra tende a ser mais produtiva para estudantes de Matemática, Física, Engenharia e áreas próximas que já tenham cursado cálculo diferencial e integral e desejem avançar em Cálculo III, análise vetorial ou Matemática Aplicada.

Escolha esta rota se você já possui base de cálculo, está na graduação ou pós-graduação e procura uma abordagem rigorosa que conecte cálculo multivariável, geometria, topologia e aplicações físicas.

Ver Análise Vetorial Clássica na Livros de Matemática.

Como decidir entre resolução de problemas e Matemática olímpica

A dúvida mais comum tende a surgir entre Iniciação à Matemática e 21 Aulas de Matemática Olímpica. Ambos valorizam problemas, mas cumprem funções diferentes.

Iniciação à Matemática é mais apropriado para construir a base do raciocínio. O livro trabalha métodos fundamentais, apresenta exemplos em ordem crescente de dificuldade e cobre temas elementares que sustentam estudos posteriores. Já 21 Aulas de Matemática Olímpica oferece um repertório mais diretamente ligado ao universo das competições, com maior variedade temática e problemas que exigem uma postura investigativa mais consolidada.

Em termos práticos, escolha Iniciação à Matemática quando sua prioridade for aprender como abordar problemas. Escolha 21 Aulas de Matemática Olímpica quando você já busca aprofundar técnicas e enfrentar desafios de competição.

Por que escolher livros publicados pela SBM

Os quatro títulos pertencem a frentes editoriais diferentes da Sociedade Brasileira de Matemática. Essa diversidade permite acompanhar o leitor desde a consolidação da Matemática escolar até temas de graduação e aplicações avançadas.

O selo editorial, por si só, não elimina a necessidade de escolher bem. Um livro pode ser rigoroso e relevante, mas ainda assim não corresponder ao nível ou ao objetivo de quem compra. A melhor decisão combina a qualidade da obra com um diagnóstico honesto sobre a formação do leitor.

Na Livros de Matemática, os livros da SBM são oferecidos pelo mesmo preço praticado pela editora e acompanhados por uma curadoria especializada exclusivamente em Matemática. Essa curadoria ajuda a diferenciar obras que parecem próximas pelo título, mas atendem a públicos, pré-requisitos e formas de estudo distintos.

Encontre a rota adequada ao seu momento

A escolha de um livro de Matemática fica mais clara quando deixa de ser uma busca pelo título “mais completo” e passa a ser uma decisão sobre o próximo passo.

Se você deseja fortalecer sua prática docente, comece por A Matemática do Ensino Médio — Volume 1. Para aprender por meio de problemas, considere Iniciação à Matemática. Se o foco são competições e desafios, avance com 21 Aulas de Matemática Olímpica. Para aprofundamento universitário em cálculo e análise vetorial, escolha Análise Vetorial Clássica.

Professor, problemas, olimpíadas ou graduação: qual é o seu caminho agora? Explore a seleção de livros da SBM e encontre a obra mais adequada ao seu momento de formação.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor livro da SBM para professores de Matemática?

Entre os quatro títulos apresentados, A Matemática do Ensino Médio — Volume 1 é a escolha mais diretamente ligada à formação e à prática do professor do Ensino Médio. Ele aprofunda conjuntos, números e funções, oferecendo base conceitual para conteúdos recorrentes em sala de aula.

Qual livro é melhor para começar a resolver problemas?

Iniciação à Matemática: Um Curso com Problemas e Soluções é a rota mais adequada para quem deseja desenvolver estratégias de resolução gradualmente. A obra combina exemplos, métodos e exercícios em uma progressão planejada.

21 Aulas de Matemática Olímpica serve apenas para competidores?

Não. O livro é especialmente relevante para preparação olímpica, mas também pode ser usado por professores, treinadores e leitores interessados em problemas desafiadores. Sua bibliografia percorre áreas importantes da Matemática discreta e elementar, além de temas menos usuais.

Análise Vetorial Clássica é indicada para iniciantes?

Em geral, não. O livro pressupõe uma base de cálculo diferencial e integral. Ele é mais indicado para estudantes universitários que desejam avançar em integrais múltiplas, campos vetoriais, formas diferenciais e aplicações.

Preciso ler os quatro livros em sequência?

Não. Eles não formam uma coleção sequencial nem devem ser apresentados como combo. Cada obra responde a um objetivo. A sequência ideal depende da formação e dos interesses do leitor.

Onde encontrar outros livros da Sociedade Brasileira de Matemática?

A seleção completa de livros da SBM reúne obras de ensino, olimpíadas, graduação, Matemática Aplicada e outras áreas. Ao comparar os títulos, considere sempre o objetivo do estudo e os pré-requisitos indicados.

Fontes e referências

  1. Sociedade Brasileira de Matemática. “A Matemática do Ensino Médio — Volume 1.” Consultar a ficha.
  2. Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo. “A Matemática do Ensino Médio — ficha catalográfica e trecho.” Acessar o documento.
  3. Sociedade Brasileira de Matemática. “Iniciação à Matemática: Um Curso com Problemas e Soluções.” Consultar a ficha.
  4. Sociedade Brasileira de Matemática. “21 Aulas de Matemática Olímpica.” Consultar a ficha.
  5. Olimpíada Brasileira de Matemática. “Bibliografia — Como se preparar.” Consultar a bibliografia.
  6. Sociedade Brasileira de Matemática. “Análise Vetorial Clássica.” Consultar a ficha.

Pesquisa atualizada em 19 de setembro de 2026. Informações bibliográficas e disponibilidade comercial podem mudar.

Professor estudando matemática com cinco livros para a preparação do ENA/PROFMAT

Quais livros estudar para o ENA/PROFMAT? 5 livros para montar sua preparação

By Livros

Por Pablo Diego Regino — fundador e diretor da livrosdematematica.com

Uma dúvida que recebemos recentemente de um estudante de Licenciatura em Matemática foi: quais livros realmente vale a pena comprar para estudar para o ENA/PROFMAT? A pergunta é importante porque a resposta não consiste em comprar, de uma só vez, todos os títulos que carregam o nome do programa.

O ENA tem conteúdo definido em edital. O primeiro ano do PROFMAT aprofunda números e funções, matemática discreta, geometria e aritmética. As duas necessidades se sobrepõem, mas um livro útil no mestrado não é necessariamente referência oficial da prova.

A resposta curta é esta: comece pelo edital e por uma prova anterior oficial; depois escolha livros que corrijam as suas lacunas. Para muitos candidatos, Temas e Problemas Elementares funciona bem como primeira compra. Números e Funções Reais, Aritmética, Geometria e Matemática Discreta ampliam áreas específicas e ajudam a formar uma biblioteca útil também depois da aprovação.

Antes dos livros: o que é importante estudar para o ENA/PROFMAT?

Na data de atualização deste artigo, o documento mais recente é o Edital nº 23 do ENA 2027, publicado em agosto de 2026. Ele prevê uma prova presencial com 30 questões de múltipla escolha e duração máxima de três horas. Não é permitido usar calculadora, régua, livros, anotações ou dispositivos eletrônicos [1].

O conteúdo oficial pode ser organizado em quatro grandes frentes:

Frente de estudo Conteúdos indicados no edital
01Álgebra e funções
Proporcionalidade e porcentagem; equações e inequações de primeiro e segundo graus; funções afim e quadrática; equações e inequações racionais, irracionais e modulares.
02Números e sequências
Conjuntos numéricos; progressões aritméticas e geométricas; raciocínio lógico.
03Geometria
Teorema de Pitágoras; áreas e volumes; razões trigonométricas; congruência e semelhança de triângulos.
04Matemática discreta e dados
Métodos de contagem; probabilidade; noções de estatística.
Fonte: conteúdo programático do Edital nº 23 do ENA 2027. Consulte sempre o edital vigente e suas eventuais retificações.

O edital também apresenta uma bibliografia de referência. Entre os cinco títulos deste artigo, somente Temas e Problemas Elementares aparece nessa lista, e a edição citada é a 4ª, de 2016 [1]. A 5ª edição, de 2025, é a edição comercial mais recente confirmada pela SBM, mas não deve ser apresentada como a edição nominalmente indicada pelo edital [6] [7].

“Útil para a preparação”, “livro da Coleção PROFMAT” e “bibliografia oficial do ENA” são três classificações diferentes.

Os quatro livros correspondentes a MA11, MA12, MA13 e MA14 têm relação direta com a formação oferecida no mestrado, enquanto o ENA possui programa e referências próprios [4] [5].

Para preparar-se para a prova, o candidato precisa cobrir o edital, resolver questões objetivas e desenvolver velocidade. Para acompanhar o PROFMAT depois do ingresso, será necessário ler demonstrações, organizar conceitos e enfrentar exercícios com maior profundidade. A biblioteca recomendada abaixo tenta atender às duas finalidades sem confundi-las.

Uma sequência de 5 livros para estudar para o ENA/PROFMAT

1. Temas e Problemas Elementares — Eduardo Wagner, Augusto Cezar de Oliveira Morgado, Elon Lages Lima e Paulo Cezar Pinto Carvalho

A edição atualmente comercializada é a 5ª edição, de 2025. A descrição da SBM confirma uma abordagem de teoria direta acompanhada de problemas contextualizados. Os conteúdos publicamente verificados incluem proporcionalidade e porcentagem, equações do primeiro e do segundo graus, Teorema de Pitágoras, áreas, razões trigonométricas, métodos de contagem, probabilidade e noções de estatística. A editora também informa que os capítulos finais reúnem soluções e questões objetivas e discursivas relacionadas a exames de acesso ao PROFMAT [6] [7].

Recomendamos este livro como ponto de partida porque ele atravessa várias áreas da matemática elementar e obriga o leitor a transformar teoria em resolução de problemas. Essa combinação é mais útil do que uma revisão baseada apenas em fórmulas. Proporcionalidade, porcentagem e equações também formam uma ponte natural para funções afim e quadrática, embora a ficha pública da 5ª edição não apresente “funções” como eixo geral de seu sumário.

O livro é especialmente indicado para quem terminou a graduação com lacunas na matemática escolar ou passou algum tempo sem estudar problemas de prova. Seu nível é elementar a intermediário: a teoria é acessível, mas a interpretação e a escolha de estratégias podem elevar a dificuldade.

Na sequência, ele deve ser usado para diagnóstico e revisão ampla. Não cobre, de forma publicamente confirmada, todos os 14 itens do edital; volumes, congruência e semelhança, progressões, conjuntos numéricos e inequações especiais podem exigir complemento.

Ver Temas e Problemas Elementares na Livros de Matemática.

2. Números e Funções Reais — Elon Lages Lima

A edição comercial verificada é a 2ª edição, de 2023. O sumário oficial cobre conjuntos, números naturais, indução, números cardinais, números reais, desigualdades, intervalos, valor absoluto, sequências e progressões. Depois desenvolve funções afins, quadráticas, polinomiais, exponenciais, logarítmicas e trigonométricas, com exercícios e soluções [8] [9].

A principal contribuição do livro é corrigir uma lacuna frequente: saber efetuar cálculos com funções sem compreender por que determinado modelo é afim, quadrático, exponencial ou logarítmico. A obra organiza essas classes conceitualmente e inclui demonstrações importantes para a formação do professor. Por isso, é um texto mais exigente que uma apostila de revisão rápida.

Para o ENA, a aderência é forte em funções afim e quadrática, conjuntos numéricos, progressões, desigualdades e parte da trigonometria. O livro não substitui o estudo de geometria, contagem, probabilidade e estatística. Ele não aparece na bibliografia oficial do ENA 2027, mas sua relação com o PROFMAT é direta: a obra acompanha a disciplina MA11 — Números e Funções Reais [4] [10].

É especialmente indicado para candidatos que reconhecem gráficos e fórmulas, mas hesitam ao justificar propriedades ou interpretar situações funcionais. O nível é intermediário, podendo parecer intermediário-alto para quem não está habituado a demonstrações. Na sequência, entra logo após a revisão geral, para estruturar o eixo algébrico e funcional.

Ver Números e Funções Reais na Livros de Matemática.

3. Aritmética — Abramo Hefez

A edição comercial verificada é a 3ª edição, de 2022. O livro trata de números inteiros, indução, divisibilidade, divisão euclidiana, máximo divisor comum, algoritmo de Euclides, equações diofantinas, números primos, Teorema Fundamental da Aritmética, congruências, teoremas de Euler e Wilson, classes residuais, congruências quadráticas e uma introdução à criptografia RSA [11] [12].

Aqui, “aritmética” não significa apenas revisar operações escolares. O livro investiga a estrutura dos inteiros e exige que o leitor demonstre propriedades, trabalhe com divisibilidade e escolha argumentos. Essa profundidade explica por que a obra é valiosa para a formação matemática, para a disciplina MA14 — Aritmética e para problemas de teoria dos números [13].

Sua relação com o ENA é mais seletiva. O edital menciona conjuntos numéricos, raciocínio lógico e equações ou inequações modulares, mas não apresenta divisibilidade, primos, Euclides e diofantinas como blocos autônomos. Assim, o livro fortalece raciocínio numérico e maturidade matemática, porém não deve ser tratado como cobertura prioritária de toda a prova nem como bibliografia oficial do ENA [1].

É especialmente indicado para quem pretende formar uma base duradoura para o PROFMAT ou estudar teoria dos números com interesse também em olimpíadas. O nível vai de intermediário a avançado conforme o capítulo. Na sequência proposta, ele consolida rigor e argumentação depois da revisão elementar e do estudo de funções. Se a prova estiver próxima e houver lacunas graves em geometria ou combinatória, essas áreas podem precisar ser antecipadas.

Ver Aritmética, de Abramo Hefez, na Livros de Matemática.

4. Geometria — Antonio Caminha Muniz Neto

A edição comercial verificada é a 2ª edição, de 2022. O percurso confirmado inclui ângulos e polígonos, congruência, lugares geométricos, pontos notáveis, tangência, círculos, Teorema de Thales, semelhança, áreas, trigonometria, geometria espacial, prismas, pirâmides, poliedros, esfera e volumes. A abordagem é lógico-dedutiva e progride dos fundamentos da geometria plana para a parte espacial [14] [15].

O livro é recomendado porque geometria costuma revelar uma fragilidade que não aparece durante o estudo puramente algébrico: o candidato pode conhecer fórmulas, mas ter dificuldade para reconhecer configurações, selecionar teoremas e justificar relações. A organização gradual da obra ajuda a reconstruir essa visão.

A relação com o ENA é direta no eixo geométrico. O edital cobra Pitágoras, áreas e volumes, razões trigonométricas, congruência e semelhança de triângulos [1]. O livro oferece uma cobertura ampla desses assuntos, embora não esteja listado como bibliografia oficial do exame. Sua ligação institucional mais clara é com MA13 — Geometria, disciplina do primeiro ano do PROFMAT [4] [15].

É especialmente indicado para candidatos que erram questões por falta de desenho, organização de hipóteses ou domínio de semelhança e relações métricas. O nível é intermediário a avançado em geometria elementar. Na sequência, deve entrar quando o diagnóstico mostrar que o eixo geométrico está abaixo dos demais; nesse caso, não há razão para esperar até a quarta etapa.

Ver Geometria, de Antonio Caminha Muniz Neto, na Livros de Matemática.

5. Matemática Discreta — Augusto Cezar de Oliveira Morgado e Paulo Cezar Pinto Carvalho

A edição comercial confirmada é a 4ª edição, de 2023. A descrição atual da SBM confirma números naturais, indução, progressões, recorrências, matemática financeira, análise combinatória, probabilidade, médias e princípio das gavetas. O sumário detalhado disponível publicamente é o da 3ª edição; por isso, os grandes blocos podem ser descritos com segurança, mas não convém atribuir sem ressalva à 4ª edição cada detalhe de paginação ou organização interna da amostra anterior [16] [17].

O livro complementa os quatro anteriores ao tratar de estruturas que não são o foco de um curso tradicional de funções ou geometria. Para o ENA, os pontos mais relevantes são progressões aritméticas e geométricas, métodos de contagem e probabilidade. Matemática financeira ajuda no raciocínio sobre porcentagens e crescimento, enquanto médias oferecem apoio parcial para estatística [1].

A obra é diretamente alinhada a MA12 — Matemática Discreta e inclui exercícios ligados a avaliações do PROFMAT e à OBMEP, conforme a descrição da SBM [16] [18]. Isso não a transforma em bibliografia oficial do ENA nem em manual completo de olimpíadas.

É indicada para quem depende de fórmulas decoradas em combinatória, confunde eventos em probabilidade ou não domina progressões. O nível é intermediário a intermediário-alto, especialmente em indução, recorrências e probabilidade condicional. Na sequência, fecha lacunas discretas e prepara o leitor para a disciplina MA12.

Ver Matemática Discreta na Livros de Matemática.

Por qual livro começar?

Se o objetivo imediato é o ENA, a primeira ação não é comprar: é baixar o edital e fazer uma prova anterior oficial em três horas [1] [3]. Depois da correção, classifique cada erro por assunto. O resultado muda a ordem de compra.

Para uma primeira aquisição geral, Temas e Problemas Elementares é a escolha mais equilibrada, porque percorre vários blocos do exame e combina teoria com problemas. Se houver orçamento para um segundo título, escolha-o pela maior lacuna: Números e Funções Reais para álgebra e funções; Geometria para o eixo geométrico; ou Matemática Discreta para contagem, probabilidade e progressões.

A recomendação de começar por Temas e Problemas Elementares + Números e Funções Reais + Aritmética faz sentido quando o objetivo é construir uma biblioteca de longo prazo, com base elementar, organização conceitual e aprofundamento em inteiros. Para uma preparação estritamente voltada à próxima prova, porém, Geometria ou Matemática Discreta pode substituir Aritmética na compra inicial se o diagnóstico mostrar deficiência nessas áreas. Essa adaptação é mais honesta e eficiente do que impor uma lista fixa.

Seu cenário Prioridade de compra
Começo recomendadoSó posso comprar um livro

Comece por uma revisão ampla e use o edital e as provas oficiais gratuitas como complemento.

Base algébricaTenho dificuldade com funções

Combine a revisão geral com um tratamento conceitual de conjuntos, sequências e funções.

Eixo geométricoErro Pitágoras, áreas, volumes ou semelhança

Antecipe o estudo estruturado de geometria plana e espacial.

Contagem e probabilidadeMinha dificuldade está na parte discreta

Priorize progressões, combinatória e probabilidade de maneira organizada.

Formação de longo prazoQuero chegar mais preparado ao PROFMAT

Monte gradualmente a base das disciplinas MA11–MA14. Não é necessário comprar tudo de uma vez.

AprofundamentoQuero teoria dos números e apoio para olimpíadas

Antecipe o estudo dos inteiros, divisibilidade, primos, Euclides e congruências, sem abandonar os demais itens do edital.

Regra prática: o melhor segundo livro não é igual para todos. Ele deve responder ao tema em que a prova diagnóstica revelou mais erros.

Como estudar com esses livros

A leitura deve produzir resolução, não apenas reconhecimento. Comece cada tópico tentando explicar com suas palavras a definição e o tipo de problema que ela resolve. Em seguida, faça os exercícios sem consultar imediatamente a solução. Quando errar, registre se a causa foi falta de conteúdo, interpretação, cálculo, escolha de estratégia ou administração do tempo.

Um caderno de erros é mais útil quando não se limita a copiar a resolução correta. Para cada questão, anote o tópico do edital, a ideia que faltou, o erro cometido e uma questão de revisão. Refaça os problemas depois de alguns dias, sem olhar a resposta anterior.

Intercale teoria e prova. Ao estudar funções, por exemplo, leia um bloco de Números e Funções Reais, resolva exercícios do capítulo e depois procure questões oficiais do ENA sobre o mesmo tema. Faça o mesmo com geometria, contagem e probabilidade. A página oficial do PROFMAT reúne provas, gabaritos e soluções de vários ciclos [3].

Uma organização editorial possível para 12 semanas é dedicar as duas primeiras ao diagnóstico e à revisão ampla; as seis seguintes aos dois ou três eixos mais frágeis; e as quatro finais a provas completas, correção e retorno seletivo aos livros. Isso não é um cronograma oficial do PROFMAT. O tempo deve ser ajustado ao repertório, à carga de trabalho e à data do exame.

Durante os simulados, respeite as condições reais: 30 questões, três horas e nenhuma consulta. Analise também os acertos inseguros. Uma alternativa marcada corretamente por sorte não representa domínio e deve entrar na revisão.

E para OBMEP e OBM?

A preparação para o ENA e a preparação olímpica se encontram na resolução de problemas, mas não têm o mesmo objetivo. O ENA cobra um programa delimitado em formato objetivo e sob tempo. A OBMEP e a OBM podem exigir soluções mais criativas, demonstrações e técnicas específicas conforme o nível.

Aritmética contribui com divisibilidade, primos, Euclides e congruências. Matemática Discreta ajuda em indução, combinatória, probabilidade e princípio das gavetas. Geometria fornece uma base dedutiva para semelhança, círculos e relações métricas. Números e Funções Reais fortalece sequências, funções e demonstrações. Temas e Problemas Elementares oferece uma entrada mais ampla para o hábito de resolver problemas.

Nenhum desses títulos deve ser apresentado como preparação olímpica completa ou bibliografia oficial da OBMEP/OBM. O melhor complemento são as provas e soluções oficiais das duas olimpíadas [19] [20]. Uma futura leitura interna pode aprofundar o tema com o título “Melhores livros para estudar para OBMEP e OBM”.

Conclusão

Não existe um único livro capaz de cobrir toda a preparação para o ENA e, ao mesmo tempo, antecipar toda a formação do PROFMAT. Uma biblioteca pequena e bem escolhida é mais útil do que uma pilha de livros sem ordem de uso.

Comece pelo edital, faça uma prova anterior e identifique as lacunas. Use Temas e Problemas Elementares como base ampla; avance para funções, aritmética, geometria ou matemática discreta conforme a necessidade. Acima de tudo, resolva problemas: a leitura só se transforma em preparação quando o candidato tenta, erra, corrige e volta a tentar.

Confira os títulos analisados e monte sua seleção de livros para PROFMAT de acordo com o seu diagnóstico de estudo.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor livro para começar a estudar para o ENA/PROFMAT?

Para uma revisão ampla, Temas e Problemas Elementares é um bom ponto de partida. A escolha seguinte deve ser feita depois de uma prova diagnóstica: funções, geometria, contagem, probabilidade ou aritmética podem exigir prioridades diferentes.

Temas e Problemas Elementares é bibliografia oficial do ENA?

O título aparece na bibliografia de referência do Edital do ENA 2027, mas o documento cita a 4ª edição, de 2016. A edição comercial mais recente confirmada é a 5ª, de 2025; portanto, não convém dizer que essa edição específica foi nominalmente indicada pelo edital [1] [6].

Preciso comprar todos os livros da Coleção PROFMAT antes da prova?

Não. O primeiro passo é comparar o seu desempenho com os 14 itens do edital. Uma compra seletiva, orientada pelas lacunas, costuma ser mais eficiente do que adquirir vários livros sem tempo ou plano para utilizá-los.

Qual é a diferença entre estudar para o ENA e estudar para o PROFMAT?

O ENA é uma prova objetiva de ingresso com conteúdo delimitado. Depois da aprovação, o PROFMAT exige estudo mais aprofundado em disciplinas como MA11, MA12, MA13 e MA14, além de outras etapas curriculares [1] [4].

Esses livros também servem para OBMEP e OBM?

Eles fornecem bases úteis em resolução de problemas, teoria dos números, combinatória, geometria, sequências e funções. Entretanto, preparação olímpica requer provas e listas específicas; os livros não devem ser tratados como bibliografia oficial ou preparação completa para OBMEP e OBM [19] [20].

Fontes e referências

  1. PROFMAT/SBM. “Edital nº 23 — Exame Nacional de Acesso ao PROFMAT 2027.” Acessar o edital.
  2. PROFMAT/SBM. “Mestrado PROFMAT 2027 — Ingresso.” Acessar a página.
  3. PROFMAT/SBM. “Provas — Exame Nacional de Acesso.” Consultar provas e soluções.
  4. PROFMAT/SBM. “Matriz Curricular.” Acessar a matriz.
  5. PROFMAT/SBM. “Normas Acadêmicas do PROFMAT.” Acessar as normas.
  6. Sociedade Brasileira de Matemática. “Temas e Problemas Elementares.” Consultar a ficha.
  7. Instituto Federal Catarinense. “Temas e problemas elementares — catálogo bibliográfico.” Consultar o catálogo.
  8. Sociedade Brasileira de Matemática. “Números e Funções Reais.” Consultar a ficha.
  9. Sociedade Brasileira de Matemática. “Números e Funções Reais — amostra e sumário.” Acessar a amostra.
  10. PROFMAT/SBM. “MA11 — Números e Funções Reais.” Acessar a disciplina.
  11. Sociedade Brasileira de Matemática. “Aritmética.” Consultar a ficha.
  12. Sociedade Brasileira de Matemática. “Aritmética — sumário e ficha editorial.” Acessar a amostra.
  13. PROFMAT/SBM. “MA14 — Aritmética.” Acessar a disciplina.
  14. Sociedade Brasileira de Matemática. “Geometria.” Consultar a ficha.
  15. PROFMAT/SBM. “MA13 — Geometria.” Acessar a disciplina.
  16. Sociedade Brasileira de Matemática. “Matemática Discreta.” Consultar a ficha.
  17. Sociedade Brasileira de Matemática. “Matemática Discreta — primeiras páginas e sumário da 3ª edição.” Acessar a amostra.
  18. PROFMAT/SBM. “MA12 — Matemática Discreta.” Acessar a disciplina.
  19. OBMEP. “Provas e Soluções.” Consultar o arquivo.
  20. Olimpíada Brasileira de Matemática. “Provas e gabaritos.” Consultar o arquivo.

Pesquisa atualizada em 12 de setembro de 2026. Consulte o edital vigente e eventuais retificações antes de iniciar a preparação.

Livro Introdução aos Sistemas Dinâmicos, de Yuri Lima, sobre mesa escura com trajetórias luminosas ao fundo

Introdução aos Sistemas Dinâmicos, de Yuri Lima: livro semifinalista do Jabuti Acadêmico 2026

By Livros

Por Pablo Diego Regino — fundador e diretor da livrosdematematica.com

No final do século XIX, Henri Poincaré dedicou-se a um problema que desafiava os matemáticos: compreender o movimento de três corpos celestes sujeitos à atração gravitacional mútua. O movimento de dois corpos admitia uma descrição matemática bem estabelecida. Quando um terceiro corpo era introduzido, porém, o problema ganhava uma complexidade inteiramente diferente.

Os trabalhos de Poincaré mostraram que, mesmo quando não existe uma fórmula capaz de descrever explicitamente cada instante do movimento, ainda é possível investigar como as soluções se comportam. Elas permanecem estáveis? Repetem determinados padrões? Tornam-se extremamente sensíveis às condições iniciais?

Essa mudança de perspectiva — da pergunta “qual é a solução?” para “como as soluções se comportam?” — teve papel decisivo no desenvolvimento do campo que hoje conhecemos como sistemas dinâmicos.

Quase um século e meio depois, essa tradição matemática aparece no centro de uma notícia editorial brasileira. Em 14 de julho de 2026, a Câmara Brasileira do Livro anunciou os semifinalistas da terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. Entre os dez títulos selecionados na categoria Matemática, Probabilidade e Estatística está Introdução aos Sistemas Dinâmicos, de Yuri Lima, publicado pela Sociedade Brasileira de Matemática.

A indicação é uma boa notícia para o autor e para a editora. Mas também oferece uma oportunidade de apresentar a um público mais amplo um campo da matemática dedicado a uma das perguntas mais persistentes da ciência: como as coisas mudam ao longo do tempo?

A matemática do movimento

Um sistema dinâmico pode ser entendido, em termos gerais, como um estado que evolui de acordo com determinada regra. O planeta que orbita, o pêndulo que oscila, uma população que cresce e diminui ou uma transformação matemática aplicada repetidamente ao mesmo espaço podem ser estudados dentro dessa perspectiva.

O interesse não está necessariamente em prever cada instante da evolução, mas em compreender o comportamento global do sistema. Existe equilíbrio? Determinados estados voltam a ocorrer? Pequenas diferenças nas condições iniciais produzem trajetórias completamente distintas?

Embora suas origens estejam ligadas às equações diferenciais e à mecânica celeste, o campo desenvolveu relações com diversas áreas da matemática.

Uma de suas ferramentas mais expressivas é a dinâmica simbólica, que permite representar a evolução de certos sistemas por meio de sequências de símbolos. É como se um movimento geométrico ou contínuo pudesse ser traduzido, etapa por etapa, para um alfabeto finito.

Essa tradução estabelece conexões com a teoria dos números e a combinatória, mostrando como uma área que nasceu de problemas relacionados ao movimento dos corpos celestes pode dialogar com estruturas discretas e propriedades aritméticas.

Um caminho de entrada na área

É esse percurso entre questões clássicas e temas contemporâneos que o texto de Yuri Lima se propõe a apresentar.

De acordo com a descrição editorial da Sociedade Brasileira de Matemática, o leitor parte das equações diferenciais e da mecânica celeste e avança pelo estudo de transformações do intervalo e do círculo até chegar aos shifts topológicos de Markov, no território da dinâmica simbólica. Ao longo desse caminho, aparecem também conexões com a teoria dos números e a combinatória.

Publicado em 2025, o volume possui 178 páginas e integra a Coleção Iniciação Científica da SBM. A editora o indica para estudantes do final da graduação e do início da pós-graduação, com poucos pré-requisitos.

Esse posicionamento editorial merece atenção. Há um momento da formação matemática em que os livros das disciplinas básicas já não são suficientes, enquanto muitos tratados especializados ainda podem parecer distantes. É nessa transição que costumam surgir os projetos de iniciação científica, os primeiros seminários e o contato mais direto com temas de pesquisa.

Um texto introdutório destinado a esse estágio não transmite apenas definições, resultados e métodos. Ele também apresenta uma linguagem, uma maneira de formular problemas e um modo de pensar característico da área.

Quando esse texto é escrito em português por um pesquisador atuante, pode funcionar como ponto de aproximação entre a formação universitária e a literatura especializada.

Os primeiros registros de circulação do título apontam nessa direção. O lançamento ocorreu durante a 8ª Escola Brasileira de Sistemas Dinâmicos, realizada no IMPA em novembro de 2025, evento que reuniu mais de 190 participantes. O livro também apareceu na bibliografia de um minicurso da SeMAP 2026, promovida pelo IME-USP.

Yuri Lima e a pesquisa em sistemas dinâmicos

Yuri Gomes Lima é Professor Titular do Departamento de Matemática do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo.

Graduou-se em Matemática pela Universidade Federal do Ceará, onde também concluiu o mestrado. Em 2011, obteve o doutorado no Instituto de Matemática Pura e Aplicada.

Ao longo de sua trajetória acadêmica, passou por instituições como o Weizmann Institute of Science, em Israel, a University of Maryland, nos Estados Unidos, e a Université Paris-Sud 11, na França. Entre 2017 e 2024, foi Professor Adjunto da UFC, antes de assumir sua posição atual no IME-USP.

Sua pesquisa se desenvolve principalmente nas áreas de sistemas dinâmicos, teoria ergódica, combinatória e probabilidade — justamente algumas das conexões que orientam o percurso do livro.

Yuri Lima é membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências para o período 2024–2028 e Young Affiliate da TWAS para o período 2024–2029. Em 2021, um artigo escrito em colaboração com Omri Sarig recebeu menção honrosa no Prêmio SBM. Em 2025, foi um dos contemplados com o Prêmio Jacob Palis Fulbright–ABC.

Essas informações ajudam a situar o livro: a introdução à área é conduzida por um pesquisador cuja atividade acadêmica se desenvolve dentro do próprio campo apresentado ao leitor.

A semifinal do Jabuti Acadêmico

O Prêmio Jabuti Acadêmico é a vertente da premiação da Câmara Brasileira do Livro dedicada à produção acadêmica, científica, técnica e profissional.

A edição de 2026 recebeu 2.085 inscrições. De acordo com o regulamento, as obras são avaliadas segundo critérios que incluem relevância e pertinência científicas, qualidade editorial e potencial de impacto, em um processo acompanhado por auditoria independente.

Em cada categoria, dez títulos são selecionados para a semifinal. Posteriormente, cinco avançam à condição de finalistas, e o vencedor é anunciado durante a cerimônia de premiação. As listas são divulgadas em ordem alfabética, sem classificação entre os selecionados.

O status correto da obra em 18 de julho de 2026 é, portanto:

Semifinalista do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, na categoria Matemática, Probabilidade e Estatística.

Os cinco finalistas estão previstos para ser anunciados em 27 de julho de 2026, durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Niterói. A cerimônia de premiação está marcada para 11 de agosto de 2026, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.

Prêmios não substituem a leitura e não determinam, sozinhos, a importância de um texto. Uma seleção como essa, no entanto, pode ampliar a circulação de trabalhos que normalmente permaneceriam restritos a comunidades acadêmicas relativamente pequenas.

No caso de Introdução aos Sistemas Dinâmicos, a semifinal também chama atenção para o trabalho editorial da Sociedade Brasileira de Matemática e para a importância da publicação, em português, de textos voltados à formação científica.

Dois livros, um mesmo título

Quem procurar pelo título precisa estar atento: a bibliografia matemática brasileira já possuía outro livro chamado Introdução aos Sistemas Dinâmicos, escrito por Jacob Palis Jr. e Welington de Melo.

Publicado pelo IMPA na Coleção Projeto Euclides, o texto de Palis e de Melo tornou-se uma referência da literatura matemática brasileira, com foco em dinâmica diferenciável, estabilidade estrutural e sistemas de Morse–Smale.

O livro de Yuri Lima, publicado pela SBM em 2025, apresenta outro percurso de entrada, que passa pelas equações diferenciais, pela mecânica celeste, pela dinâmica do intervalo e do círculo e pela dinâmica simbólica.

As duas obras não são versões, adaptações ou substituições uma da outra. Foram escritas por autores diferentes, publicadas por editoras diferentes e concebidas em contextos distintos.

A coincidência de títulos revela, de certo modo, uma característica da própria área: não existe um único caminho para apresentar os sistemas dinâmicos. Cada autor precisa escolher seus problemas iniciais, suas ferramentas e a sequência de ideias que conduzirá o leitor.

Matemática também é cultura escrita

Um livro de matemática não é apenas um repositório de definições e teoremas. É uma sequência de escolhas sobre o que apresentar, em que ordem, com quais exemplos, com quais motivações e para qual leitor.

Escrever uma introdução exige decidir o que pode ser pressuposto, o que precisa ser explicado e quais conexões ajudam a revelar a estrutura de uma área. A exposição matemática também possui ritmo, perspectiva e projeto editorial.

Quando esse trabalho é realizado em português, o resultado participa da construção de uma linguagem científica compartilhada. Conceitos, argumentos e modos de exposição passam a circular entre estudantes, professores e pesquisadores sem depender exclusivamente de traduções ou de bibliografia publicada em outros idiomas.

Independentemente das próximas etapas do prêmio, a presença de Introdução aos Sistemas Dinâmicos entre os semifinalistas já produz um efeito importante: coloca um texto de matemática especializada diante de um público mais amplo e lembra que a produção acadêmica também pertence à cultura do livro.

O exemplar de Introdução aos Sistemas Dinâmicos, de Yuri Lima, está disponível na Livros de Matemática. A relação completa dos títulos selecionados pode ser consultada na lista oficial de semifinalistas do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026.

IA Resolve Problema #1196 de Erdős: Fato ou Mito? (GPT-5.4 Pro + Terence Tao)

By Inteligência Artificial (IA)

No fim de abril de 2026, um vídeo viralizou afirmando que o ChatGPT havia resolvido, em apenas 80 minutos, um problema matemático em aberto desde os anos 60. A história chamou atenção — mas, como costuma acontecer com conteúdos virais, a realidade é mais complexa (e mais interessante).

Houve, sim, um avanço matemático real, envolvendo inteligência artificial e validado por especialistas como Terence Tao. No entanto, há confusões importantes sobre quem resolveu, como resolveu e qual foi o papel real da IA.

Resumo rápido

  • Não foi o ChatGPT comum.
  • Não foi Jared Lichtman quem resolveu esse problema específico.
  • Foi um usuário amador utilizando um modelo avançado.
  • Especialistas como Terence Tao validaram e refinaram a prova.
  • A versão viral simplifica e exagera diversos pontos.

O que são conjuntos primitivos?

Um conjunto primitivo é um conjunto de números inteiros maiores que 1 em que nenhum elemento divide outro.

Por exemplo: se o número 2 está no conjunto, então 4, 6, 8 e outros múltiplos não podem estar. O conjunto dos números primos é o exemplo mais conhecido, mas existem muitos outros.

Esse tipo de estrutura é central na teoria dos números, área fundamental da matemática.

Para quem deseja se aprofundar nesse campo, vale explorar obras relacionadas a pesquisadores como Terence Tao:
ver livros relacionados a Terence Tao

A conjectura de Erdős: contexto essencial

Em 1988, o matemático Paul Erdős formulou uma conjectura sobre conjuntos primitivos: entre todos os possíveis, o conjunto dos números primos maximizaria uma soma específica associada a esses conjuntos.

Essa conjectura foi demonstrada em 2022 por Jared Lichtman — um feito importante, mas distinto do problema que viralizou recentemente.

Quem é Jared Lichtman?

Jared Duker Lichtman é um matemático norte-americano especializado em teoria analítica dos números. Ele ganhou destaque internacional ainda jovem ao resolver, em 2022, a chamada conjectura dos conjuntos primitivos de Erdős, um problema proposto em 1988 por Paul Erdős.

Na época, Lichtman era doutorando na Universidade de Oxford, sob orientação de James Maynard, um dos principais nomes da teoria dos números contemporânea. Sua prova chamou atenção por utilizar argumentos relativamente elementares para um problema que resistia há décadas, reforçando sua reputação como um pesquisador com forte intuição matemática.

No caso do Problema #1196, Lichtman não foi o autor da solução inicial gerada com auxílio de inteligência artificial. Seu papel foi diferente, mas igualmente importante: participar da validação, interpretação e refinamento do argumento produzido, ajudando a transformar uma saída bruta em um resultado matematicamente consistente e compreensível para a comunidade.

O que o vídeo viral afirma

O vídeo que circulou apresenta algumas afirmações principais:

  • Que o ChatGPT resolveu um problema em aberto desde os anos 60.
  • Que Lichtman teria sido o autor da solução.
  • Que matemáticos utilizavam há décadas o mesmo tipo de abordagem.
  • Que a IA encontrou um caminho completamente novo.
  • Que isso pode impactar profundamente a teoria dos números.

Algumas dessas afirmações são parcialmente verdadeiras, mas outras estão incorretas ou simplificadas em excesso.

Vídeo viral versus realidade

 

Afirmação O que é realmente verdade
“ChatGPT resolveu o problema” Foi utilizado um modelo específico e avançado, não uma versão comum de uso geral.
“Jared Lichtman resolveu” A solução inicial foi gerada por um usuário amador; Lichtman participou da validação e refinamento.
“Todos usavam o mesmo método há 90 anos” Essa descrição simplifica excessivamente a diversidade de abordagens na matemática.

O que realmente aconteceu

O problema envolvido é o Problema #1196 de Erdős, proposto em 1968.

Um jovem chamado Liam Price, sem formação avançada em matemática, utilizou um modelo avançado de IA para explorar o problema. O sistema gerou uma proposta de solução em cerca de 80 minutos.

No entanto, essa solução inicial não estava pronta para publicação. Foi necessário o trabalho de matemáticos experientes — incluindo Terence Tao e Jared Lichtman — para interpretar, reorganizar e validar o argumento.

Portanto, trata-se de um processo colaborativo entre IA, usuário e especialistas, e não de uma resolução automática.

O papel real da inteligência artificial

A IA não criou matemática completamente nova. O que ocorreu foi a combinação, de maneira inédita, de ferramentas já conhecidas dentro da teoria dos números.

Esse tipo de abordagem é relevante porque ultrapassa padrões tradicionais de pensamento. A IA não está limitada pelas convenções que normalmente guiam os matemáticos humanos.

Segundo Terence Tao, esse tipo de contribuição pode revelar conexões mais profundas entre diferentes áreas da matemática.

Impacto na teoria dos números

Se essa abordagem se mostrar consistente, pode influenciar não apenas esse problema específico, mas também outros problemas relacionados.

Mais importante ainda, ela sugere um novo modelo de trabalho matemático:

  • Sistemas de IA exploram possibilidades não convencionais.
  • Matemáticos especialistas analisam, validam e refinam os resultados.

Isso não substitui o trabalho humano, mas altera significativamente o processo de descoberta.

Reflexão: tradição versus inovação

O episódio levanta uma questão relevante: até que ponto os métodos utilizados na matemática refletem necessidades reais, e até que ponto são fruto de tradição?

Ao longo da história, muitos problemas considerados difíceis tornaram-se simples quando abordados de maneira diferente. A inteligência artificial pode funcionar como um catalisador para esse tipo de mudança.

No entanto, as tradições matemáticas também têm seu papel, pois organizam o conhecimento e evitam erros. O avanço mais promissor parece estar na combinação entre intuição humana e exploração computacional.

“O mais interessante no Problema #1196 não é que uma inteligência artificial tenha encontrado uma solução — é o tipo de solução que ela encontrou.

Durante décadas, a matemática avançou seguindo caminhos que, embora sólidos, também carregam uma certa inércia intelectual. Métodos se tornam padrões, padrões viram tradição, e tradição passa a guiar o que consideramos ‘natural’ ou ‘elegante’ tentar.

O que aconteceu aqui sugere algo diferente: não que esses caminhos estejam errados, mas que eles não são os únicos possíveis. A IA não substitui o matemático — mas pode expor alternativas que simplesmente não exploramos, não por impossibilidade, mas por hábito.

O Problema #1196 não foi resolvido por uma IA sozinha, nem por um amador isolado, nem por especialistas trabalhando de forma tradicional. Ele foi resolvido pela interação entre exploração livre, intuição humana e validação rigorosa.

E talvez esse seja o ponto mais relevante: não estamos diante de uma substituição, mas de uma mudança na forma como o conhecimento matemático pode evoluir.”

Pablo Diego Regino – Fundador e diretor de livrosdematematica.com

Conclusão

O Problema #1196 de Erdős foi, de fato, resolvido com participação relevante de inteligência artificial. No entanto, a narrativa viral simplifica excessivamente o que aconteceu.

O resultado surgiu da interação entre um usuário curioso, um modelo avançado de IA e matemáticos experientes que validaram e estruturaram a solução.

Mais do que um caso isolado, esse episódio aponta para uma possível mudança na forma como a matemática é produzida.

Para quem deseja se aprofundar nesse universo — da teoria dos números às contribuições de matemáticos contemporâneos — é possível explorar nossa seleção de obras especializadas:
acessar livros de matemática

10 Personagens Mais Relevantes da Matemática Brasileira em 2025

10 Personagens Mais Relevantes da Matemática Brasileira em 2025

By Matemática Brasileira

O ano de 2025 foi marcante para a matemática no Brasil. Pesquisadores, professores, estudantes e empreendedores mostraram como a disciplina segue viva, transformadora e cada vez mais acessível. Neste artigo, reunimos os 10 personagens que mais se destacaram por suas contribuições únicas — seja na pesquisa, na educação, na inclusão, nas olimpíadas ou na difusão do conhecimento. Uma seleção plural, para celebrar quem fez a diferença na matemática brasileira em 2025.

1. José Edson Sampaio – Universidade Federal do Ceará (UFC)

Vencedor do Prêmio SBM 2025, José Edson se destacou com um artigo publicado em uma das mais prestigiadas revistas internacionais da área, propondo uma nova abordagem teórica para homologia em espaços com descontinuidades. Seu trabalho tem sido amplamente citado e elogiado pela comunidade acadêmica, fortalecendo o papel da UFC como polo de pesquisa matemática no Nordeste e revelando o potencial transformador da pesquisa fora dos grandes centros.

2. Jaqueline Mesquita – Universidade de Brasília (UnB) e presidente da SBM

A primeira brasileira a presidir a Unión Matemática de América Latina y el Caribe (UMALCA), Jaqueline liderou importantes ações institucionais em 2025. Como presidente da SBM, coordenou o lançamento do PoP!Mat, um evento inédito dedicado à popularização da matemática, e criou o Prêmio SBM de Divulgação Matemática, que valoriza iniciativas de comunicação científica. Também representou o Brasil em eventos internacionais de alto nível, promovendo a visibilidade da matemática brasileira.

3. Maria Aparecida Soares Ruas (Cidinha) – USP São Carlos

Professora Emérita da USP, Cidinha foi eleita para a Academia Mundial de Ciências e recebeu prêmios em eventos internacionais por sua contribuição em Teoria das Singularidades. Além de sua produção científica extensa, tem papel fundamental na formação de novos pesquisadores e na ampliação da participação feminina na matemática. Sua trajetória inspira gerações de matemáticos e matemáticas em todo o país.

4. Claudio Landim – IMPA e coordenador da OBMEP

À frente da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, Claudio coordenou a edição de 2025, a maior da história da competição, com mais de 18,5 milhões de estudantes inscritos. Também anunciou a criação da Olimpíada para Professores dos Anos Iniciais, que será realizada a partir de 2026. Sua atuação tem ampliado o acesso à matemática de qualidade, especialmente nas regiões mais vulneráveis do país.

5. Camilo Santana – Ministro da Educação

Camilo liderou a implantação do Compromisso Nacional Toda Matemática, um pacto federativo para melhorar os indicadores de aprendizagem em matemática nas redes públicas. Além de apoio financeiro, a iniciativa prevê formação docente, desenvolvimento curricular e avaliação sistemática dos resultados. Sua liderança política foi decisiva para recolocar a matemática no centro das prioridades educacionais do Brasil.

6. Rodrigo Costa – Professor da rede estadual de Alagoas

Responsável pelo projeto TOM, Rodrigo transforma a realidade de seus alunos por meio do ensino da matemática voltado às competições. Em 2025, diversos estudantes sob sua orientação conquistaram medalhas na OBMEP e em olimpíadas universitárias. Sua atuação mostra que é possível promover excelência acadêmica na escola pública, com dedicação, estratégia e comprometimento.

7. Fabrício Valencia Quintero – IME-USP

Natural da Colômbia, Fabrício se tornou uma referência na pesquisa matemática ao vencer o Prêmio Carlos Gutierrez com uma tese que propõe novas aplicações da Teoria de Morse a grupóides de Lie. Em 2025, iniciou uma promissora carreira de pesquisa no Brasil, contribuindo para fortalecer a cooperação científica latino-americana e a internacionalização da matemática brasileira.

8. Juliana Theodoro de Lima – Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

Juliana desenvolve projetos de formação científica com foco em populações vulneráveis, incluindo mulheres privadas de liberdade. Em 2025, foi premiada por sua atuação ética e inclusiva, tornando-se uma voz importante por uma matemática mais diversa, justa e acessível. Além da docência e pesquisa, participa ativamente de redes de apoio a meninas e mulheres na ciência.

9. Ana Beatriz Oliveira Rocha da Silva – Estudante do Colégio Militar de Juiz de Fora (MG)

Com apenas 12 anos, Ana Beatriz foi destaque em competições nacionais e internacionais, ganhando medalhas e reconhecimento da comunidade olímpica. Em 2025, conquistou troféus de prata e levou o nome do Brasil ao pódio em disputas de alto nível. Sua disciplina e paixão pela matemática inspiram jovens estudantes e educadores em todo o país.

10. Pablo Diego Regino – Fundador da livrosdematematica.com

Criador da principal livraria online de matemática do Brasil, Pablo se destacou em 2025 por promover a democratização do acesso ao conhecimento especializado. A livrosdematematica.com tornou-se referência entre professores, estudantes e pesquisadores, oferecendo um acervo robusto, curadoria qualificada e apoio constante à formação matemática. Sua iniciativa representa o poder do empreendedorismo educacional aliado à paixão pelo saber.

O que é um Seminovo?

SEMINOVOS COM GARANTIA DE QUALIDADE

Um "Livro Seminovo" é uma categoria especial de livro que, apesar de não ser vendido como novo, mantém uma qualidade e aparência que desafiam essa classificação. Estes livros distinguem-se por não apresentarem detalhes visíveis de uso ou desgaste, mantendo-se em excelente estado de conservação. A razão pela qual não são comercializados como novos é simples: permaneceram expostos em prateleiras ou guardados em estoque por um período prolongado, sem serem vendidos. É importante destacar que a classificação de um livro como seminovo não implica em qualquer comprometimento de sua integridade, conteúdo ou beleza estética. Pelo contrário, oferece uma oportunidade única para adquirir obras de qualidade a um valor mais acessível. Todos os livros seminovos passam por uma rigorosa avaliação de qualidade, garantindo que sua experiência de leitura seja indistinguível da de um livro novo. Ao escolher um livro seminovo, você está não apenas fazendo uma escolha econômica, mas também contribuindo para a sustentabilidade e o consumo consciente, dando nova vida a um livro que, de outra forma, permaneceria esquecido. Além disso, todos os livros seminovos vêm com garantia de qualidade, assegurando que você receberá um produto em condições excepcionais. Em resumo, um livro seminovo é uma excelente opção para leitores que valorizam tanto a qualidade quanto o valor de suas aquisições literárias. É a escolha perfeita para quem busca expandir sua biblioteca com obras em estado de conservação impecável, sem comprometer o orçamento.

O que é um Seminovo

GARANTIA DE QUALIDADE

Um "Livro Seminovo" é uma categoria especial de livro que, apesar de não ser vendido como novo, mantém uma qualidade e aparência que desafiam essa classificação. Estes livros distinguem-se por não apresentarem detalhes visíveis de uso ou desgaste, mantendo-se em excelente estado de conservação. A razão pela qual não são comercializados como novos é simples: permaneceram expostos em prateleiras ou guardados em estoque por um período prolongado, sem serem vendidos. É importante destacar que a classificação de um livro como seminovo não implica em qualquer comprometimento de sua integridade, conteúdo ou beleza estética. Pelo contrário, oferece uma oportunidade única para adquirir obras de qualidade a um valor mais acessível. Todos os livros seminovos passam por uma rigorosa avaliação de qualidade, garantindo que sua experiência de leitura seja indistinguível da de um livro novo. Ao escolher um livro seminovo, você está não apenas fazendo uma escolha econômica, mas também contribuindo para a sustentabilidade e o consumo consciente, dando nova vida a um livro que, de outra forma, permaneceria esquecido. Além disso, todos os livros seminovos vêm com garantia de qualidade, assegurando que você receberá um produto em condições excepcionais. Em resumo, um livro seminovo é uma excelente opção para leitores que valorizam tanto a qualidade quanto o valor de suas aquisições literárias. É a escolha perfeita para quem busca expandir sua biblioteca com obras em estado de conservação impecável, sem comprometer o orçamento.